Notas sobre o fim

A morte é a última e mais efêmera saída. O caos habitado, a dor suplicada e replicada e fazendo moradia fervorosa em nosso peito.

Dizem que morrer não soluciona nada, não apaga a dor, não flui o ciclo pulsante que deveria ser a vida. Deveria se não fossem as feridas expostas, os males rasgando a alma. Dizem que não é a solução, mas tudo bem, pois nada tem sido também. Nem meditação, yoga ou chá de camomila. Nem amigos, bares, risadas forçadas. Noites bem dormidas, foco, abstração. Nem cigarros acumulados no cinzeiro, cerveja mais quente do que gostaria, futebol no fim do domingo. Nada tem sido. Nem as músicas novas, os clássicos sofridos, os filmes solitários. A companhia alheia, o amor que não vem, os choros em fim de tarde, os tarja preta. Nem a corrida no parque, três comprimidos a mais antes de dormir, um chuveiro esquecido pingando. Nada tem sido a solução para essa dor que não cessa e, insistente, jorra de mim e me fere, me estilhaça, me entorpece. Essa dor que me amarra os pulsos e venda os olhos, me deixa estirada num chão ardente de caos. Morrer não é a saída, é o fim.

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