Abajur

Antes de você dormir, apague as luzes. Meu bem, eu apagaria seu abajur por toda uma vida. Repousa teu peito no meu e me faz a certeza de que amanhã ainda vem.

Nenhuma fuga tá me bastando, meus cafés não amargam mais, meus cigarros queimaram todas as mangas de minhas jaquetas. Essa noite não teve Janis rouca me trazendo uma tristeza nostálgica, não teve cerveja quente me subindo à cabeça, nem foram as drogas, incensos ou mantras que me jogaram mais fundo em mim. Foi essa porra de consciência de ser e estar exatamente aqui sendo o que sou. Esse nada mais.

E se eu escrevesse uma carta hoje, seria com a tinta fosca do meu medo. Mas não é minha última carta, minha pequena. Não são essas as letras que me restam.

Entre as casas vazias e as dores mal digeridas, me dei conta de estar dançando num breu interno e que sequer tenho força pra morrer. Não hoje. E olhe, minha pequena, me bastaria fechar os olhos.

Se repouso nesse exato instante, suspiro pra nunca mais. Mas me exige tanto, tanto que nem ouso fechar os olhos e deixar essa dor vagando por aí.

Quase.minha.quase

Respiro baixinho só pelo que me resta de mim. Não sobrou muita coisa, mas se você baixar as luzes e me olhar com cuidado, dá pra ver o que me feriu.

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