Esses versos vazios

A última linha do pesado livro, do poeta velho, do autor esquizofrênico fala sobre uma solidão vaga, dançante, amargurada. Mais do que um vazio imenso, as linhas me recobram minha desistência.

Por deus, não quero mais nenhuma salvação, nenhuma mão amiga, nenhum lenço estendido enxugando minhas lágrimas.

Hoje não quero esperança, presença, não quero mais o esforço torpe de quem crê ou quer crer que tudo será doce.

Lembro-me que há dias eu repetia insistente: doce, será doce e ameno será e a resistência valerá o caos que me causa.

Mas não vale. Nada nessa merda toda vai valer quando tudo que eu quero era um cigarro mais forte, uma bebida mais amarga, uma solidão mais densa. To submersa em meus sórdidos quartos escuros e nada mais me faz abrir as portas. Nenhuma luz me dá paz. Eu queria apenas a solidão daquela última linha, daquele poema que repousa caótico e solitário na última página do livro. Não quero mais um esforço de quem se esforça por encontrar a rima em minhas linhas. Sou só um parágrafo fodido, rabiscado e sem coerência.

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