Seis céus

Já ergueu suas cicatrizes contra o sol? Sabe, erguendo os braços alto quase encostando o céu mesmo sabendo que nunca, nada irá tocá-lo?

Já se posicionou contra o vento? Um vento tão forte que quase achou que seria derrubado? Mas você não caiu, não cairá pois o vento te envolve e você é uma parede cortando o fluxo natural de algo extremamente mais forte do que suas fragmentadas cicatrizes.

Minhas palavras andam escassas. Talvez seja esse vendaval interno que me impede de refletir sobre mim. Já ergueu suas feridas contra as sobras e comparou os tons de cinza?

Já sentiu seus dias correrem entre seus dedos e nenhum desafeto ou surto psicótico te atinge pois tudo que você tem são suas feridas erguidas quase tocando o céu? Mas você ainda assim sabe que nada, nunca, irá tocá-lo. Mesmo suas dores, sangue jorrando, desejo, deus, cicatrizes mal curadas, medo, angústia, café amargo às 3 da manha, o cinzeiro lotado de cigarros que você jurou não mais fumar.

Nenhum desespero tece os dedos seus porque nenhuma paz habitou corpo algum. Somos só esses vagos e sujos e mortos pedaços de alma caminhando desolados e atingidos pelo não ser. Já ergueu suas feridas contra a luz? São pedaços de pele arranhados de dor e nenhuma tocará o céu.

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