Quase soa calmo se não fosse o silencio incômodo

Eu costumava me perguntar para onde iam tantos corpos e tanta gente que vaga por ai. Eu costumava reparar na gente toda que rimava seus passos com os meus. Mas hoje faz silêncio aqui dentro, entre o tangível e o abismo nenhum barulho pode ser percebido. Ah menina, se você soubesse do peso descomunal que paira em meus ombros e me enverga a alma. Se você soubesse do cansaço que me toma pelas mãos, sobe pelos punhos, me envolve o colo, os ombros e me venda os olhos. Se soubesse que antes do caos vêm esses períodos de silêncio e vazio e… e o que mais? Quase uma calmaria se não fosse a certeza do caos que a sucede. Quase soa calmo se não fosse o silencio incômodo. Se não fosse um assobio fino e seco que eu, e tão somente eu, conheço bem. Um caos tocando 3 notas baixas de desespero. Hoje caminhei algumas quadras a esmo, ou talvez um sem fim de ruas, já não sei ao certo. Me senti um corpo vazio e frio e vago e morto. Quem é que vive nessa cidade cinza dentro de um sórdido espaço sem alma? Hoje pouco me importaram os passos alheios e as almas alheias. Por deus, quero  que todas queimem longe de mim pois sequer sei para onde ruma o corpo meu e a alma minha. Depois que o vazio passar e o caos sucumbir, depois que o silêncio retornar a um estágio denso, mas suportável, eu me lembro de sentar nessas ruas vazias e me questionar pra onde é que esses corpos e almas todas vão. Será que a minha está lá também?

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