Quando acordo o sol parece ameno. Parece límpido e calmo. Carregado de um sossego que quase, reverbero, quase me contempla a paz.

As horas correm e por dentro nasce, cresce e se instala aquele velho sentimento de não saber fazer, não saber lidar. Querer, mas por um motivo extenuante, não conseguir fazer nada além de continuar nessa imensidão sofrível e dilacerante.

As horas correm e meu relógio interno berra uma insensatez de permanecer inerte, permanecer sendo essa coisa vaga que eu sou.

A asfixia sobe o peito, mas não se expele pela boca. Ela se afaga, se instala bem no meio de minha gargante e parece que o mundo me exige uma força que não sou capaz de exercer. Sentir, porra, senti as necessidades todas de ser alguém e ter alguém e viver uma vida inteira me eximem, me fenecem, me jogam num canto escuro de mim mesma.

A Ansiedade maldita é um demônio maleável, frívolo, sagas, ele se enrola em meus pulsos e se adentra fundo em meus bolsos. Ele corrói minhas costuras seguras e me faz ter medo de movimentos bruscos. Ele come minhas entranhas e me deixa à beira de mim mesma. Eu choro escondidos entre as portas e corredores, entre os banhos e as noites frios, eu ligo as músicas altas porque o medo da exposição ainda ressoa vergonhoso em meus dias nebulosos.

Eu prefiro a solidão e a quietude, ainda que tudo isso me mate, porque essa ansiedade maldita me faz crer que as pessoas são boas. São boas e eu má. São boas e eu incompetente. São boas e eu o peso da insatisfação.

Eu fujo entre emus dedos e medos, em me escondo entre luzes semicerradas e vazios incompreendidos, eu me escoro em minha agressividade, porque explicar que isso tudo me fere à fogo, a lanças cegas de mim mesma ainda é uma dor que não sei ou não posso suportar.

E quando olho pelas janelas, e quando me fere ver a dor de quem amo, e quando me desvincilho de meus fantasmas obscuros, eu sofro pela dor alheia. Eu recaio no ambíguo sentimento de amar tudo aquelo que me dói em seis tons sujos e machados de amor. E tudo que vejo são vidas que, vezes boas vezes más, correm em alguma direção. E eu abraço essa maldita ansiedade que cresce devastadora em meu peito, sentadas atrás desse vidro sujo, observamos vidas e corpos e almas correndo. E nós, paradas. E nós morrendo. E ela me comendo. Mãos, pés e voz. Agora não sei pedir socorro. Espero que ela me devore de vez porque os dias claros e o sol refletindo próximo me faz doer ainda mais. Espero que ela me coma os olhos e a vontade viver. Espero que ela torne de vez meu eu um peso frio. Olhar minha dor consumir o que resta dos meus pedaços sujos parece um filme ruim que não tem tempo para o fim.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s