Já sentiu sua vida riscar o fósforo na caixa da sua insegurança?

Hoje o frio foi mais frio e nenhuma luz se acendeu. Me debrucei no chão porque a crueza do cimento é tão reles que pouco me afeta. Em mim tudo corrompeu.

Há dias que o tempo não corria tão lentamente. Olhei seis vezes para o relógio e não passaram das sequer 5 minutos da minha agonia. Se a gente reparar bem, nossa angústia está respingando dos ponteiros lentos. Três gotas no papel amassado e eu não sei como te dizer que, por vezes, os redemoinhos caóticos emergem, numa surpresa maldita, rasgando as peles, os órgãos, até mesmo os ossos. Mas era paz, era a porra da paz que estava aqui. Nada de vibrações eufóricas, mas eram dias amenos, singelos, por vezes bons. De repente seu corpo é mergulhado num sem fim de extremos. Ah, pequena, como te explico o inferno sem te jogar seus pedaços numa flâmula fodida de desespero? É como relatar que há uma estaca ardente me perfurando o peito. As horas são longas e curtas, um paradoxo que rouba a vida sem, de fato, matar. Só hoje eu morri 18 vezes por segundo.

Acendo um cigarro agora e sequer faço ideia quando esta porra de dia irá terminar.  Há chance dele acabar comigo antes do fim. Esse noite, talvez, o corpo não vai vencer minha alma destroçada.

Já sentiu o corpo cair de um precipício de mil metros e nunca chegar ao chão? Já sentiu sua vida riscar o fósforo na caixa da sua insegurança? Os ponteiros circularam 4 vezes eu meus pulsos sangram uma dor que eu, tola, achei já não mais guardar.

Estava ali. Porra. Estava tudo ali, as dores, os medos, a raiva, a ojeriza desse meu eu sujo e surdo que mal sabe se ouvir. E se sabe, não quer, não pode, não ouve. Tanto silêncio entre minhas vísceras, tanto desafeto fulminando entre mágoas empalidecidas e disfarçadas com um sabor adocicado. Queimei minha insensatez na ponta desses cigarros mal tragados. Agora quem queimou fui eu.

Já reparou como as quedas são muito mais duras depois que a gente acredita ter reaprendido a caminhar? Tantos metros, tantos passos dados, um caminho trepidante, mas ainda assim percorrido. Tropecei em meus próprios pés e permaneci desfalecida em mim. Morri pra dentro, fui morrendo numa progressiva corrosão de mim mesma. Logo eu, que não creio nem no sossego nem numa força divina, naquele momento, pedi pra vida me deixar viver longe de mim. Não me caibo, não me sirvo mais. Sou uma blusa grande e desajeitada que veste o próprio corpo. Atrapalho meus dedos, minhas mangas se embolam entre minhas pernas tortas, sufoco meu existir. Permaneci deitada, por sorte deus eis de me afincar a paz nessas minhas feridas abertas.

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