Penumbra

A noite derruba seu manto escuro em meus olhos e não há vestígio que a luz voltará no outro dia. Ela não volta há tempos. Agora sou uma migalha entre vãos que nada são. Sou um pedaço pequeno demais de mim que se perde entre meus medos e receio de ser exatamente o que sou. Porra, fui me escondendo, me dilacerando, me forjando tanto, por tanto tempo que me tornei o pior tipo de essência funesta que não sou. Ou sou, já não sei mais. Por deus, não sei se sou exatamente isso que carrego em cicatrizes e dores mal sentidas. Não sei se sou tudo aquilo que acho que deveria ser.

Um dia eu fora alguém passível de ser amado. Porra, eu era doce e os dias eram bons e eu fui amor ao lado teu, menina. Hoje sou esse emaranhado árduo de não saber o que sou, por isso eu abandonei o barco e a alma. Abandonei os dias e as noites, os quartos, a casa e os encantos. Não sobrou muito entre as cortinas. Ao anoitecer a noite recobre de escuridão o que há tempos já é breu em mim.

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