Silêncios

Seis frases roucas emudeceram em meu peito. O café esfriou antes que eu pudesse dizer que o tempo anda esmagando nossas entranhas. Nenhum livro foi lido, nenhuma música soou pelos cômodos da casa. O silêncio, que fora calmaria, hoje é a agonia que come o que restou de nós.

Mas você se senta nesse sofá velho e espera que os dias corram bons. Eu me debruço no chão frio estirada nos estilhaços do desafeto.

Suas roupas esquecidas no pé da cama me lembram que nenhuma estadia dura tempo o bastante para ser suficiente. Por deus, nós sempre morremos antes do arfar definitivo, daquele que encerra os filmes, que aquece as almas.

A gente sempre vive na imanência de resistir a mais um dia. Horas corridas e bebidas esquecidas na cozinha escura preenchem o caos de não existir. Não mais resistir.

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