Almas que ascendem

Há centenas de pessoas incríveis. Aos montes, espalhadas por aí. Há centenas de ações incríveis repetidas insistente e sorrateiramente por aí. Todos os dias, uma pessoa banal vence a si mesma e, no mais perene silêncio e anonimato, ergue-se sobre si mesma.

Juro a ti, se sair correndo o mais rápido que puder e contornar sua quadra às 5 da tarde, você esbarrará numa história incrível ou duas delas. Ou dez. Nunca se sabe.

Mas nem sempre estamos atentos às almas doces, aos encantos alheios. Estamos sempre tão absortos em nossa própria ânsia de ser que deixamos os fatos incríveis ocorrerem bem ao nosso lado sem, ao menos, deixar que eles sejam minimamente notados.

Eles quase nos tocam os ombros com seus dedos longos. Mas passamos ilesos com mais constância do que a justiça há de acordar. Mas é sempre um maldito quase que cava o abismo de cegueira ao nosso redor.

Todos os dias, vamos nos prendendo em nossa sôfrega vontade de sermos mais do que nós mesmos, que perdemos essas almas que vêem em nós os atos incríveis.

Queremos ser melhores do que tudo que já vimos, então não vemos nada mais além de nós. Na nossa pequenez e mesquinharia de ser nada mais. De ver nada mais do que achamos ser incrível. Não somos. Não vemos. Chegamos o mundo e, ao lado nosso, o incrível se prolonga sem nem ao menos nos fazer piscar.

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